Ciclo de Conferências | Org.: Instituto de História Contemporânea e CLEPUL | 2017 * 2018 * 2019 * 2020
quinta-feira, 23 de maio de 2019
segunda-feira, 8 de abril de 2019
3.ª Conferência: "Lisboa Revolucionária no século XX" por Fernando Rosas
Resumo:
A conferência será baseada no já celebre livro sobre a Lisboa Revolucionária do século XX, que incide particularmente os primeiros 30 anos do século passado, tendo ainda uma incursão pelo "abalo telúrico" de 1974/75, para utilizar uma expressão com que o autor se costuma referir a este período.
O autor passeia-nos por Lisboa, revisitando o palco dos conflitos avançando do Tejo e da zona ribeirinha para Norte.
Percorremos ruas, como a Rua do Arsenal, que emprestou o seu chão ao landau que transportava o rei já morto, as ruas de Alcântara atormentadas por cargas policiais sucessivas, ruas solidárias que ostentavam a rebeldia crónica dos seus habitantes cedendo-lhes a alma, o traçado e o quartel em momentos vários de insurreições pressentidas. O Terreiro do Paço perfila-se nestes espaços insurrectos como o tabuleiro do xadrez de todos os poderes, com os peões a avançarem em xeque-mate, acompanhado do Arsenal da Marinha e da Praça do Município, com o seu pelourinho a servir de testemunha à proclamação da República no quinto dia do longínquo Outubro de 1910. Estratégico, o Castelo de São Jorge tomou várias posições, ora estando do lado dos poderes, ora insubordinando-se e passando, generoso, para o reviralho. A Baixa Pombalina e o Chiado queirosiano, que preparam a entrada para o Largo do Carmo, confessam-se cenários envolventes de bravatas, refúgios, intentonas, rendições e revoluções, memórias de ouro da cidade, em que pontifica vívido e concreto o 25 de Abril. O eixo do Rossio, Restauradores e Avenida da Liberdade constitui-se como uma ampla área de circulação entre o Terreiro do Paço e a Rotunda. Este espaço assistiu por várias vezes ao vaivém amotinado de insurgentes vários. A Rotunda congregou desde sempre apetites tácticos que subiram ao Parque e a Campolide. Aí se jogou de forma cirúrgica o fim da Monarquia e aí pontificou anos mais tarde Sidónio Pais a tentear novos caminhos. Este território passou muitas vezes de poiso de caçadores a arena de caçados, com ataques vindos da extensão que abrange o Largo do Rato, Rua da Escola Politécnica, São Pedro de Alcântara e Rua de S. Bento.
Os pontos nevrálgicos da cidade não acabam aqui, e o autor passeia-nos ainda nas Avenidas Novas e, finalmente, leva-nos a Monsanto. Tudo isto com o Tejo a observar-nos, também ele espaço amotinado de memórias líquidas.
Eis uma das grandes revelações deste livro: transformar os espaços da cidade já vivida em personagens reais, dando-lhes alma e voz, ostentando no peito, como medalhas, os acontecimentos que mudaram, fizeram e desfizeram a marcha dos dias a abarrotar de História.»
(adaptado daqui)
Nota biográfica:
Fernando Rosas (Lisboa, 1946) é professor catedrático jubilado no departamento de História da Faculdade de Ciência Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa e Investigador no Instituto de História Contemporânea da mesma instituição, do qual foi fundador e Presidente da Direcção entre 1994 e Fevereiro de 2013.
Entre 1988 e 1995, integrou o conselho de redacção da revista Penélope – Fazer e Desfazer a História. Entre 1994 e 2007, dirigiu a revista História. Publicou variadíssimas obras como autor, dirigiu, coordenou e é co-autor de muitas outras na área da sua especialidade (História do século XX), entre elas: As primeiras eleições legislativas sob o Estado Novo: as eleições de 16 de Dezembro de 1934, (1985); O Estado Novo nos Anos 30. Elementos para o Estudo da Natureza Económica e Social do Salazarismo (1928-1938), (1986); O salazarismo e a Aliança Luso-Britânica : estudos sobre a política externa do Estado Novo nos anos 30 a 40, (1988); Salazar e o Salazarismo (co-autor), (1989); Portugal Entre a Paz e a Guerra (1939/45), (1990); Portugal e o Estado Novo (1930/60), (co-autor), (1992); História de Portugal, vol. VII – O Estado Novo (1926/74), (1994); Dicionário de História do Estado Novo, (dir.), (1995); Portugal e a Guerra Civil de Espanha, (coord.), (1996); Armindo Monteiro e Oliveira Salazar : correspondência política, 1926-1955, (coord.) (1996); Salazarismo e Fomento Económico, (2000); Portugal Século XX : Pensamento e Acção Política, (2004); Lisboa Revolucionária, Roteiros dos Confrontos Armados no Século XX, (2007); História da Primeira República Portuguesa, (co-coord.), (2010); Salazar e o Poder. A Arte de Saber Durar (2012); Estado Novo e Universidade. A perseguição aos Professores, (co-autor), (2013); O Adeus ao Império. 40 Anos de Descolonização Portuguesa (co-coord.), (2015).
Foi deputado à Assembleia da República em 2000 e 2001 e de 2005 a 2010.
Entre 1988 e 1995, integrou o conselho de redacção da revista Penélope – Fazer e Desfazer a História. Entre 1994 e 2007, dirigiu a revista História. Publicou variadíssimas obras como autor, dirigiu, coordenou e é co-autor de muitas outras na área da sua especialidade (História do século XX), entre elas: As primeiras eleições legislativas sob o Estado Novo: as eleições de 16 de Dezembro de 1934, (1985); O Estado Novo nos Anos 30. Elementos para o Estudo da Natureza Económica e Social do Salazarismo (1928-1938), (1986); O salazarismo e a Aliança Luso-Britânica : estudos sobre a política externa do Estado Novo nos anos 30 a 40, (1988); Salazar e o Salazarismo (co-autor), (1989); Portugal Entre a Paz e a Guerra (1939/45), (1990); Portugal e o Estado Novo (1930/60), (co-autor), (1992); História de Portugal, vol. VII – O Estado Novo (1926/74), (1994); Dicionário de História do Estado Novo, (dir.), (1995); Portugal e a Guerra Civil de Espanha, (coord.), (1996); Armindo Monteiro e Oliveira Salazar : correspondência política, 1926-1955, (coord.) (1996); Salazarismo e Fomento Económico, (2000); Portugal Século XX : Pensamento e Acção Política, (2004); Lisboa Revolucionária, Roteiros dos Confrontos Armados no Século XX, (2007); História da Primeira República Portuguesa, (co-coord.), (2010); Salazar e o Poder. A Arte de Saber Durar (2012); Estado Novo e Universidade. A perseguição aos Professores, (co-autor), (2013); O Adeus ao Império. 40 Anos de Descolonização Portuguesa (co-coord.), (2015).
Foi deputado à Assembleia da República em 2000 e 2001 e de 2005 a 2010.
quinta-feira, 28 de março de 2019
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
2.ª Conferência: "O eixo Rua da Palma-Avenida Almirante Reis enquanto espaço de representações literárias e trajetos emocionais", Aquilino Machado
Resumo
A narrativa de alguns escritores atenha-se em determinados territórios sentimentais que servem de base à criação simbólica de representações literárias. Na verdade, através da análise de algumas obras literárias descobrimos o ajustamento ficcional entre os lugares narrados e aquilo que na realidade existe.
Nesta conferência destacaremos os territórios literários e emocionais erguidos na Avenida Almirante Reis. Usaremos o trajeto emocional dos escritores e das suas ficções para atestar e compreender o seu desenvolvimento urbano.
De seguida, capturaremos a cartografia de mobilização republicana, ou o balanceamento emocional de Fernando Pessoa, e de uma parte da geração de Orpheu, que levariam o poeta da heteronímia a confessar num pedacinho de escrita epistolar: “há dias passava eu de carro na Avenida Almirante Reis. Levantando os olhos por acaso, leio no cabeçalho de uma loja: Farmácia A. Caeiro”.
Na ditadura do Estado Novo associaremos a cadência de apropriação revelada através de uma boémia que se espessava em torno dos cinemas populares e das cartografias dos cafés e bares, onde ninguém estava “livre de apanhar com um poeta à deriva pela proa”, como nos legou José Cardoso Pires.
.
Por fim, desaguaremos no 25 de Abril e na sua intensidade cenográfica, dando forma à expressão de que a cidade soube tornar-se num cenário de um “teatro espontâneo no qual” cada um se torna “espetáculo e espectador, às vezes actor” (Lefebvre, 1970).
Nota Biográfica | Aquilino Machado
Professor assistente convidado no Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT), e Investigador associado dos Núcleos ZOE - Dinâmicas e Políticas Urbanas e Regionais - e TERRITUR -Turismo, Cultura e Território - do Centro de Estudos Geográficos (CEG), Universidade de Lisboa, tem desenvolvido o seu interesse de pesquisa nos campos da geografia cultural e urbana. Mestre e doutorando em Geografia Humana, encontra-se a concluir um projeto sobre os territórios literários urbanos em Aquilino Ribeiro, e a geografia emocional vivida e recriada nas cidades de Lisboa e Paris.
Entre, 2008 e 2013, deu aulas na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE), onde obteve o título de Especialista na Área de Turismo, desenvolvendo, para o efeito, um trabalho de investigação em torno da importância do turismo literário.
De 1997 a 2012 integrou os quadros da empresa Parque EXPO’98, S.A.
Nos últimos anos tem trabalhado como guionista de documentários e preparado conteúdos para itinerários culturais que nos falam da importância da memória na cidade de Lisboa.
1.ª Conferência de 2019: "A actividade hoteleira em Lisboa no final do séc. XIX", Daniel Alves
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
III Ciclo | 1.ª Conferência: A atividade hoteleira em Lisboa no final do século XIX_Daniel Alves
Resumo: O sector dos serviços e comércio na cidade de Lisboa sofreu uma significativa reestruturação na passagem do século XIX para o século XX. Esse fenómeno, nos seus traços gerais, abrangendo todas as tipologias de estabelecimentos então existentes, foi já alvo de vários estudos e publicações (Daniel Alves 2017). Contudo, pouco ainda se sabe sobre o sector específico da oferta de alojamento e hotelaria na cidade. A historiografia portuguesa, ao contrário do que tem acontecido nos Estados Unidos, em Inglaterra e noutros países europeus, não tem dado atenção ao estudo da oferta de hotelaria naquele período, assim como a outras tipologias de oferta de alojamento na cidade. Sondagens prévias baseadas em dados do licenciamento dos estabelecimentos de comércio e indústria da Câmara Municipal de Lisboa, parecem indicar um crescimento substancial das unidades hoteleiras, entre 1890 e 1910, e uma alteração profunda na tipologia, propriedade e quantidade de outros tipos de unidades de alojamento temporário, como estalagens, albergues, hospedarias ou quartos particulares. Poderão estas alterações ser uma manifestação do nascimento de uma procura relacionada com a actividade turística? Usando os dados já referenciados respeitantes aos anos de 1890, 1900 e 1910 e recorrendo a uma análise estatística e espacial com a utilização de sistemas de informação geográfica, procurar-se-á caracterizar a actividade hoteleira em Lisboa, contribuindo para o conhecimento das ligações entre o crescimento urbano e a massificação do fenómeno turístico.
Link para texto representativo do tema: https://run.unl.pt/handle/10362/40222
Bio-nota: Daniel Alves é Professor Auxiliar no Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e investigador no Instituto de História Contemporânea, ambos da Universidade NOVA de Lisboa. Tem um mestrado em História do Século XIX (2001) e um doutoramento em História Económica e Social Contemporânea (2010) com a tese “A República atrás do balcão: os lojistas de Lisboa e o fim da Monarquia (1870-1910)”.
As suas áreas de interesse são a História Contemporânea, a História Económica e Social, a História Urbana, a História das Revoluções e as Humanidades Digitais. Tem alguns livros e capítulos de livros publicados sobre História de Portugal no século XIX, bem como artigos em revistas científicas nacionais e internacionais, sobretudo em História Económica e Social e SIG aplicado à História. Recentemente foi editor convidado no número especial “Digital Methods and Tools for Historical Research” da revista International Journal of Humanities and Arts Computing e do número especial “The History of Retailing on the Iberian Peninsula” da revista History of Retailing and Consumption.
Colabora com frequência em projectos de investigação que usam bases de dados e sistemas de informação geográfica (SIG) na investigação histórica, nomeadamente nos projectos “Atlas, Cartografia Histórica” (http://atlas.fcsh.unl.pt/) e “Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental” (http://litescape.ielt.fcsh.unl.pt/). É coordenador deste último desde 2018, em colaboração com Natália Constâncio.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
Continuação do Ciclo em 2019
Estamos a preparar a continuação do Ciclo para 2019, nas belas salas do Palácio Pimenta.
A primeira conferência será no final de Fevereiro, em breve anunciaremos toda a informação.
Entretanto, sugerimos a visita à exposição "Vicente: o mito em Lisboa", que inaugura amanhã.
Até breve!
Subscrever:
Mensagens (Atom)


















